Páginas

Ouça a música dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

28.3.15

Acervo Acre: Inundação (2006)




No dia 14 de março, publiquei no Som do Norte um post relatando lançamentos recentes de três estados da Amazônia - Pará, Amapá e Acre. O do Acre não chega propriamente a ser um lançamento, se formos considerar que o disco de onde saiu a música destacada - "Plantação de Bacuri" - saiu em 2006. Porém, é a primeira vez neste 9 anos que a cantora Kelen Mendes disponibiliza o EP Inundação na íntegra para audição nas redes sociais.

Aproveitando o ensejo, convidei Kelen a escrever um depoimento, uma espécie de balanço desses 9 anos de "vida" do disco, acompanhado de uma reflexão sobre o que a levou a gravar não um apanhado de inéditas, como geralmente acontece nas estreias fonográficas, mas sim um mergulho em sonoridades acreanas anteriores. Com a palavra, Kelen Mendes.


(Fabio Gomes)


***



Acho estranho o raciocínio da pressa no desuso ou em “tirar fora”, esquecer, descartar. Quando era criança, ainda haviam, relativamente poucas lojas, em Rio Branco; minha mãe mandava fazer nossas roupas na costureira; escolher o tecido e o modelo da roupa era bastante divertido e como os tecidos duram mais que as malhas, as roupas tinham vida longa; também porque eram lavadas à mão, uma vez que eletrodomésticos eram menos acessíveis.

Faço essa analogia para falar sobre porque gravei músicas, de compositores locais, que não eram inéditas. Nasci na década de 1970 e essa geração ouvia rádio; moro numa cidade pequena mas que valorizou seus músicos um dia. Onde os compositores e intérpretes tocavam nas rádios locais, emplacavam hits e como criança, projetava um dia também cantar nas rádios. Eu cantava pela primeira vez com banda (Banda Ponto G, 1997) e nós projetamos a gravação de um CD. Mas a essa altura dos fatos, os compositores da cidade eram quase invisíveis; conhecidos apenas por um pequeno grupo, a maioria artistas também. Não gostava de pensar que crianças e adolescentes não teriam a mesma oportunidade que tive; de conhecer e saber cantar essas canções. Das seis que gravei, "Conselho de Amigo" e "Ao Chico" foram as mais conhecidas pelas ondas de rádio mas nem todas tocaram no rádio; as gerações de músicos vindouros, incluindo a que faço parte, encarregou-se de tocar ao vivo as demais canções e de tornar algumas quase populares, como "Plantação de Bacurí" que foi muito cantada pelo Pia Villa e "Dom Quixote" pelo Clenilson Batista (com Kelen na foto abaixo), no bar Casarão.


Na verdade, como intérprete, pretendia gravar mais tarde; talvez quando sentisse preparada; mesmo que esse dia nunca chegasse (risos); eu não tinha pressa para gravar; no entanto, após quatro anos de banda, decidimos gravar. Mais ou menos em 2000 e na época eu ainda não assumia compor, embora já tivesse feito algumas coisas pra própria banda Ponto G. A antecipação de gravar sozinha ocorreu porque a banda acabou; nós tínhamos aprovado um projeto de gravação e então eu tive que pedir autorização do tecladista da banda, que assinou o nosso projeto (lei de incentivo estadual), para gravar sozinha; era a forma de não perder o recurso tão difícil de conseguir e como eu mesma havia ralado pra fazer o projeto, decidi gravar sem a banda. Selecionei as músicas e chamei Chico Chagas, a quem conhecia e confiava no trabalho, para arregimentar os músicos, fazer os arranjos, fazer a produção musical. Acho que encontrar o Chico, que já morava há bastante tempo no Rio de Janeiro, passar pra ele mais ou menos o que eu queria de resultado sonoro e alcançar o resultado que conversamos sobre, foi ótimo, já valeu a viagem, o encontro e as dificuldades do caminho.



Show de lançamento, em 2006


Demorei anos pra fechar o CD e concluir o projeto. E assisti, desde a linda festa de lançamento (numa casa de cultura que tive entre 2006 e 2008, no meu bairro, a Maloca da Nega), onde o CD reuniu personalidades locais, até ele (o CD) tocar na rádio pública Aldeia FM (a única que toca parte da nossa produção) e em algumas festas muito específicas; agora, no ano de 2015, já distribui pra várias pessoas, vendi pouco e só agora postei no Soundcloud. Várias vezes fiquei de mal com ele (CD Inundação) mas sempre nos reconciliamos (risos). 

Hoje sou compositora mas o amor que tenho por essas canções, por vários dos nossos compositores...as belas lembranças das músicas que tocavam nas rádios locais quando criança, de certa forma, isso tudo está no Inundação. A possibilidade de ouvir, olhar e ver a Kelen intérprete e compositora; quem ela é, de onde vem; isso tudo é marcado por essas gravações; eu costumo dizer que a parte boa da colonização cultural norte-americana sobre o Brasil, na década de 70, é a black music. Não gosto da “gospelização” da nossa cultura mas sou fruto também dessa black music que relemos e tornamos amazônica; só um acreano, fronteiriço, apaixonado por sua história é capaz de cantar um soul nativo amazônico ("Inundação", de Narciso Augusto). O Narciso eu amo de paixão, sou fã mesmo; quando eu comecei a conhecer os compositores que moravam em Rio Branco, o Narciso e o Damião Hamilton ("Bambú") foram os primeiros que conheci. O Damião até antes; depois o Sérgio e o Edson ("Dom Quixote"). Entre o rock e o funk eu herdei o funk com orgulho (risos) e em "Conselho de Amigo", fizemos uma mistura. A música "Conselho de Amigo", originalmente um samba, gênero nacional, pelo qual também sou apaixonada, foi gravada por Da Costa mais ou menos em 1973, o ano que nasci.


Como nativa, busco não perder as pistas para chegar mais perto das nossas identidades; as mais tradicionais; procuro mostrar isso compondo. “Inundação” é um ponto; não exatamente o “ponto g” mas o ponto que marca sobretudo a chegada do rio Acre, que veio até o meu trabalho autoral “PorAquiry”, sendo Aquiry o provável nome original do rio dos jacarés; e sonoramente, continuo acalentando o sonho de ver o CD Inundação chegando aos jovens ouvidos, principalmente dos jovens acrianos (cuja escrita trocou o ‘e’ pelo ‘i’) e marcando um pouco as novas gerações, com as canções que tanto me marcaram. Desejo que nossa produção musical desague novamente nas rádios; on line, ao vivo, em cores de sons. Que as novas construções identitárias e emotivas não tenham tanta pressa em passar; que o consumo seja mais lento e que como os tecidos de viscose, possam durar bem mais que as malhas. A tecnologia porém mais acessível e tornando a possibilidade de diálogo mais ampla, possa nos levar aos doces rios de quem busca algo menos homogêneo. Inundação de boa música pra nós! E que venham shows, viagens, premiações...e muito amor nos corações!


Kelen Mendes

12.1.15

Disco do Mês: Batida Brasileira 2





A cantora Euterpe inicia 2015 lançando o CD Batida Brasileira 2, o segundo de uma trilogia com a qual a artista promove a valorização da música popular brasileira, privilegiando o trabalho dos compositores da região Norte do Brasil. O novo CD é o nosso 33º Disco do Mês e o 7º de Roraima; o CD anterior da intérprete, Batida Brasileira, foi destaque em abril de 2010. 

Neste segundo disco, Euterpe se reafirma excelente intérprete, com timbre agradabilíssimo e afinação perfeita. Como compositora, expande as fronteiras de seu som, ao dialogar com o universo pop em músicas como “Alguém” e “Loura Linda” (ambas parcerias com Eliakin Rufino; a última remete ao Jorge Ben dos anos 1970, tanto por seu ritmo contagiante quanto pela letra em que uma mesma expressão inicia uma sequência de versos – o seu cabelo é ouro/ o seu cabelo é belo/ o seu cabelo é louro/ é lindo esse amarelo”). Outra composição com ritmo contagiante é o samba “Coração Campeão” (também parceria com Eliakin). Em “Fico com o presente”, a melodia pouco extensa exprime à perfeição a valorização do tempo presente, apontado como superior ao passado e ao futuro na letra de Eliakin Rufino. Já em “Viola goiana”, Euterpe renova a parceria com o poeta Gilberto Mendonça Telles, iniciada no CD anterior.

Euterpe também estreia no álbum como letrista, sendo sua a versão para o francês do poema de Odara Rufino “Oiseau noir”, dedicado à pintora mexicana Frida Kahlo, que sempre se manteve otimista apesar dos inúmeros percalços pelos quais passou. Outra homenageada, em “Casa de Cesária”, é a cantora Cesária Évora, de Cabo Verde; na letra, incorporando vocábulos do dialeto crioulo cabo-verdiano como “cretcheu” (pessoa muito querida), Eliakin Rufino descreve a sensação de visitar a casa onde a artista viveu em Mindelo, em março de 2012; Cesária falecera três meses antes.

Eliakin Rufino em Mindelo,
em frente à casa de Cesária Évora


A sintonia com o mundo é um traço marcante do disco, que consegue ser uma expressão regional sem jamais cair em clichês regionalistas. Mesmo na faixa de abertura, “Sertão das águas” (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos), não há apenas bucolismo nas referências a igarapés, matas e seringais; a letra roga que não venha o fogo queimar/ nem trator correr arrastar/ pra que a vida queira pulsar e correr. Milton lançou “Sertão das águas” em seu LP Txai (1990), parcialmente gravado no Acre e em Rondônia. Robertinho Silva, que faz participação especial nesta faixa, também estava presente na gravação original.

Outro traço marcante do CD é o otimismo, seja no samba-exaltação “O Rio é mar”, homenagem ao Rio de Janeiro, seja ao falar de amor em “Alguém” ou na já citada “Coração Campeão” (toda as três de Euterpe e Eliakin Rufino) – nesta, ao amor se soma a liberdade individual (“deixei você com a corda solta/.../deixei você independente”), tema constante na obra poética e musical de Eliakin e que igualmente comparece em “Vagabundo”, poema de Álvares de Azevedo publicado em 1853 e musicado pelo compositor amapaense Naldo Maranhão; nesta faixa, Euterpe realiza uma das melhores interpretações do CD, com destaque para o fraseado quase falado da última estrofe do poema.

Natural de Boa Vista, Roraima, Euterpe começou a cantar aos 11 anos no Coral Canarinhos da Amazônia, participando de três CDs do grupo. De 2003 a 2006, morou em Manaus, sendo destaque na cena musical da cidade. De volta a Boa Vista, venceu diversos festivais e recebeu o Prêmio Produção do Projeto Pixinguinha, que resultou na gravação do primeiro Batida Brasileira (2009). Em 2011, fez turnê de lançamento do disco em todos os estados da Amazônia Legal e no Rio de Janeiro através do circuito SESC Amazônia das Artes. Regularmente apresenta-se em shows e festivais, já tendo dividido o palco com Leila Pinheiro, Eliakin Rufino e Elisa Maia, entre outros.


Batida Brasileira 2 foi gravado nos dias 14 e 15 de outubro de 2013, no estúdio Umuarama, no Rio de Janeiro, com direção musical de Ney Conceição, produção executiva de Jeferson Ghol, e tendo Ricardo Calafate como engenheiro de som. A direção artística coube ao poeta Eliakin Rufino. A ilustração da capa do disco é de Odara Rufino. Três músicos estão presentes em todas as faixas: o baixista Ney Conceição, também autor dos arranjos; o tecladista Luiz Otávio Paixão e o baterista  Lúcio Vieira. Também participaram das gravações: José Arimatéa (trompete), Marlon Caldeira (trombone), Mestrinho (acordeon), Robertinho Silva (percussão) e Victor Lopez (guitarra portuguesa). O disco se destina ao mercado nacional e internacional e tem o patrocínio da empresa Carmen Steffens, viabilizado através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado de Roraima.






17.3.14

Disco do Mês: Bem que Podia





Nosso 32º Disco do Mês é muito especial. Pela primeira vez, temos em destaque no blog um CD que conjuga poesia e música. Também é o primeiro CD que conta com a participação de nosso editor, o jornalista Fabio Gomes, na produção artística. 

Bem que Podia é o primeiro CD da Poeta Amadio, artista de Rondônia radicada em São Paulo. O disco reúne poemas seus, recitados por ela própria, que também interpreta versos de Binho, de Rondônia, e Eliakin Rufino, de Roraima, ambos poetas, cantores e compositores, além de serem importantes referências para Amadio.

Amadio começou a escrever poemas aos 16 anos, e seu exercício da escrita passou a se intensificar aos 20, amadurecendo a partir de seu maior contato com a literatura. Teve alguns escritos publicados em veículos de Porto Velho, como a revista Expressões! Mas logo veio o contato com outra mídia, que lhe abriu novas perspectivas: amiga dos integrantes da banda Kali, Amadio foi convidada a gravar seu poema "Sobre o Acaso", que se tornou a faixa de abertura do primeiro CD da banda, ...E a Primavera Chega, lançado em setembro de 2012. Amadio também participou de diversos shows da banda, recitando seu poema no início da apresentação, tanto em Rondônia quanto em Roraima. "Sobre o Acaso" foi incluído no CD Bem que Podia, como faixa-bônus.

Foi a vocalista da banda Kali, Kali Tourinho (que ao lado de Amadio forma o grupo Canoras), quem lhe apresentou o jornalista Fabio Gomes, indicando-o para produzir o trabalho da poeta. Entusiasmado com o resultado obtido pela gravação de "Sobre o Acaso", Fabio sugeriu que o primeiro lançamento reunindo poemas de Amadio fosse um CD, e não um livro, como habitualmente acontece. O disco teve a produção musical de Luis Paulo Pinheiro e Thiago Maziero, também integrantes da banda Kali. Toda a banda, aliás, participou da gravação, de alguma forma. Coube inclusive a Kali musicar e gravar com Amadio a faixa-título, "Bem que Podia".

Dois integrantes da banda roraimense Jamrock, Ana Gabriela e Hugo Pereira, tocam na faixa de abertura "Dia Meu". Binho recita seu poema "Lero com o Leitor" ao lado de Amadio. Thiago Maziero canta "A Rua, a Curva e os Bairros da Cidade", melodia sua escrita a partir de um poema que fez em parceria com Amadio. O poema "Vê se Vê" aparece no CD em duas versões: primeiramente, declamado por Amadio, e depois cantado por Rômulo Oliveira (da banda rondoniense Dub da Lata) e Gioconda Trivério (integrante do Duo Pirarublue); quem musicou o poema foi Giovani Viecelli.

A maior parte do CD foi gravada em Porto Velho, no estúdio Ecos da Oca. Quatro faixas foram produzidas em Boa Vista, durante os dois meses que Amadio passou na capital de Roraima, no começo de 2013. A última faixa a ser gravada foi "BR-174", registrada no Estúdio Cambuci Roots, em São Paulo, pelo músico acreano João Eduardo Vasconcelos (ex-Los Porongas).

Lançado no Dia Nacional da Poesia, 14 de março, no blog da Poeta Amadio, o CD vem obtendo boa repercussão nas redes sociais. O lançamento foi antecedido por dois singles, com o poema de abertura d CD, "Dia Meu", e com a faixa-título, "Bem que Podia", ambos ainda disponíveis para download no blog da artista. 






1 - Dia Meu (Poeta Amadio)
2 - Na Rua Mais Bonita da Cidade (Poeta Amadio)/ A Reta, a Curva e os Bairros da Cidade (Thiago Maziero - Poeta Amadio) com Thiago Maziero / Vinheta 1 (Poeta Amadio)
3 - Nuvem (Poeta Amadio)
4 - Qualquer Entardecer Qualquer (Poeta Amadio)
5 - O Silêncio de Cada Coisa que Falava (Poeta Amadio)
6 - Vinheta 2 (Poeta Amadio)/ Bem que Podia (Kali Tourinho – Poeta Amadio) com Kali Tourinho
7 - Jardim Selvagem  (Poeta Amadio)
8 - Lero com o Leitor (Binho) com Binho
9 - Gravatas  (Poeta Amadio)
10 - Gêmeos  (Poeta Amadio)
11 - Vinheta 3  (Poeta Amadio)/ Vê se Vê (Giovani Viecilli – Poeta Amadio) com Gioconda Trivério e Rômulo Oliveira
12 - BR-174 (Eliakin Rufino)
13 - Faixa-bônus: Sobre o Acaso (Poeta Amadio)

Músicos

Ana Gabriela violão 1
Andressa Silva vozes 8
Bebeco Pujucan programação 1, 3 / mixagem 1 / efeitos 9
Binho voz 8
Felipe Mendonça percussão 2
Gioconda Trivério voz 11
Giovani Viecelli arranjo 11
Hugo Pereira baixo 1
Jeferson Almeida sampler 13
Kali Tourinho voz 6 / vozes 8
Luis Paulo Pinheiro sintetizadores 2, 5, 7 / programação 2, 5, 7, 13 / baixo 2 / sampler 4, 5 / teclado 6/ vozes 8
Raony Ferreira guitarra solo e backing vocals 11
Rodolfo Bártolo bateria e percussão eletrônica 11
Rômulo Oliveira voz 11
Thiago Maziero sintetizadores 2, 7 / programação 2. 7 / violão 2, 6, 7/ voz 2, 4 / apito 5 / vozes 8 / guitarra base 11 / backing vocals 11
Vitor Piani Guitarra Epiphone semi-acústica 3, 9 / baixo Ibanez soundgear 3, 9/ violão, guitarra e sample de bateria e piano 10

Agradecimento


À poesia! E a todos que acreditaram e duvidaram o suficiente para ela querer se fazer reluzir a tantos outros. Gratidão!

                                                      Poeta Amadio

Ficha técnica

Produção Artística: Fabio Gomes
Arte: Leandro Carvalheira
Foto da capa: Ronaldo Nina
  

Gravado entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2014
Produzido no Estúdio Ecos da Oca (Porto Velho – RO), por Luis Paulo Pinheiro e Thiago Maziero
Mixado e masterizado por Jeferson Almeida

Faixas 1, 3 e 9 - Gravadas no Estúdio Parixara – Boa Vista (RR)
Faixa 10 – Gravada no home studio de Vitor Piani - Boa Vista (RR)
Faixa 12 – Gravada no Estúdio Cambuci Roots (SP), por João Eduardo Vasconcelos
Gravações em Boa Vista realizadas nos meses de janeiro e fevereiro de 2013
Gravação em São Paulo realizada em fevereiro de 2014

Ana Gabriela e Hugo Pereira fazem parte da banda Jamrock (Boa Vista – RR) 

Kali Tourinho, Thiago Maziero, Luis Paulo Pinheiro, Jeferson Almeida e Felipe Mendonça formam a banda Kali (Porto Velho – RO)

Poeta Amadio é artista exclusiva do Som do Norte – www.somdonorte.com.br - www.poetaamadio.com.br 

3.2.14

Disco do Mês: Nas Esquinas da Amazônia








Nosso 31º Disco do Mês, comemorando os 54 meses do Som do Norte no ar, é Nas Esquinas da Amazônia, que Zeca Preto lança agora em fevereiro de 2014. O show de lançamento oficial acontece na Casa do Neuber, Boa Vista, no próximo dia 14, uma sexta-feira, com entrada franca. 

Nascido em Belém, José Maria de Souza Garcia vive há muitos anos em Roraima, tornando-se uma espécie de embaixador cultural e musical roraimense desde que obteve o segundo lugar com "Macuxana" no 1º Festival de Música de Roraima. 

Quatro anos depois, no 2º festival, novamente ficou em segundo lugar, com a música "Roraimeira". Nome que batizou chácaras, padaria, boates e tantas outras coisas - como lembra o artista "virou, por exemplo, o peixe fresco na feira, enfim o que era bom era Roraimeira". Em 1984, o nome batizou um show, na verdade praticamente uma mostra cultural roraimense, realizada no Teatro Amazonas (Manaus), reunindo várias linguagens, como Música, Dança,  Poesia e Artes Plásticas. Conta Zeca Preto: "Foi um sucesso e tivemos que repetir esse show aqui em Boa Vista, para que os roraimenses também pudesse assistir e se orgulhar de ver no palco a tradução da terra em que viviam." Posteriormente, o nome Roraimeira batizou o movimento de valorização da cultura do Estado, iniciado com aquele show em Manaus, e que foi tema de um documentário da série Doc.TV em 2009.

Zeca ainda viria a participar de outros festivais. Em 1990, tirou o último lugar no 6º Femur, com sua parceria com Neuber Uchôa "Macunaimando". Só que, como bem recorda Zeca, esta música "é hoje a música mais tocada na Terra de Macunaima, virou o hino informal de Roraima. Serve para colação de grau, para mostra em outros lugares, nas viagens etc".



Zeca Preto possui 14 discos gravados e 2 livros editados. Fez centenas de shows em várias cidades brasileiras, e também na Venezuela e na Suíça. Recebeu o prêmio de gravação do Projeto Pixinguinha em 2009, com seus parceiros de Trio Roraimeira (Eliakin Rufino e Neuber Uchôa). Atualmente faz turnê pelos 15 municípios de Roraima para lançar o disco Nas Esquinas da Amazônia

1 - Um pedacinho (Enrico Di Miceli - Zeca Preto)




2 - Choque de puraké (Zeca Preto)




3 - Sou daqui, sou de lá (Zeca Preto - George Farias)




4 - Sebastiana (Enrico Di Miceli - Zeca Preto) com Wladimir




5 - Festa (Enrico Di Miceli - Zeca Preto) com Halisson Crystian




6 - No pote só tinha mel (Zeca Preto - Miro Garcia) com Miro Garcia




7- Ninja na encantação (Enrico Di Miceli - Zeca Preto)




8 - Domingueira (Zeca Preto - Aroma)




9 - Caboquinha linda (Zeca Preto - Sousa) com Sousa




10 - Amor de sexta-feira (Zeca Preto - Sérgio Barros)





11- Mandinga (Zeca Preto - Cristina Rocha) com Cristina Rocha




12- Meu Tambor (Enrico Di Miceli - Zeca Preto - Joãozinho Gomes)




13- Queria (Zeca Preto - Cacá Farias)




14- Marquises da Cidade (Enrico Di Miceli - Zeca Preto) com Aroma







3.10.13

Disco do Mês: Lia Sophia



Nosso 30º Disco do Mês, comemorando os 50 meses do Som do Norte no ar, é Lia Sophia, o quarto CD da cantora e compositora. O show de lançamento ocorreu no dia 20 de setembro, na Estação das Docas, junto à orla de Belém. Outros dois trabalhos de Lia Sophia já foram nossos Discos do Mês - Castelo de Luz, em janeiro de 2010, e Amor Amor em maio de 2010, o que torna Lia a recordista de Discos do Mês do nosso blog. Leiam a seguir o release do novo disco, e ouçam-no em seguida - na íntegra.

***



“Lia Sophia mistura os ritmos locais com batidas internacionais,
para criar uma música original e de alta qualidade.
Ela não veio para ficar. Ela já está” 
Nelson Motta

A Guiana Francesa é o local de nascimento. O Amapá, a ponta do mapa que une o Brasil ao Caribe, terra da família e da infância. O Pará, dos ritmos da Amazônia, lugar aonde começou a carreira como cantora e compositora. Dessa mistura de raízes latinas e caribenhas vem Lia Sophia. O mais novo CD, batizado com o próprio nome, é o quarto da trajetória musical da artista e apresenta Lia Sophia ao mundo.

O disco é espetacular. Lia mostra a força de sua juventude e sua maturidade. Este trabalho a confirma como uma das melhores cantoras de sua geração, define o jornalista e produtor musical Nelson Motta, que acompanhou de perto a produção do CD. O álbum, patrocinado pelo programa Natura Musical, através da Lei Semear de Incentivo à Cultura, traz 14 faixas que evocam as raízes e memórias musicais de Lia Sophia. Mescladas às inovações de elementos eletrônicos, concedem originalidade à produção musical da cantora. Lia Sophia faz carimbó pop, cumbiasoul e também, sob a influência do zouk, do brega e das guitarradas coloca todo mundo para dançar. 

Foto: Naiara Jinknss


O conceito visual do projeto é inovador, de uma selvahightech. É possível sentir as cores da floresta pop de Lia Sophia no design do CD. O material não é produto de efeitos de computação. O resultado das imagens entre um rosa e um vermelho vibrantes veio de um trabalho analógico. O filme especial utilizado na sessão de fotos veio da Alemanha e deu cara e cor ao som eletrizante do disco.
Foto: Naiara Jinknss


A mistura genuína da música de Lia Sophia marca o requinte da produção, que acentua a latinidade sempre presente no trabalho da cantora. O disco, que tem produção musical de Luiz Félix Robatto, conta com a participação de nomes como maestro Luiz Pardal, Chimbinha, Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro. Entre os destaques, está a regravação de “Noite do Prazer”, música do grupo Brylho (liderado por Claudio Zoli), sucesso nas rádios há 30 anos. Lia deu uma linguagem caribenha à canção, deixando-a ainda mais sensual. Outra que merece atenção é a releitura de “Quero Você”, clássico brega dos mestres Carlos Santos e Alypio Martins. 

As músicas falam com sensualidade, leveza e alegria de temas do cotidiano, como na faixa que abre o CD o carimbó pop “Amor de Promoção”, uma brincadeira dançante e explosiva sobre amores casuais. Com
batidas eletrônicas à efervescência dos ritmos amazônicos, a música tem a participação especialíssima de Chimbinha, na guitarra. Para ouvir e não ficar parado. O disco traz também “Ai Menina”, da trilha sonora de Amor, Eterno Amor, novela da Rede Globo, faixa que já é sucesso em todo o país. 

Foto: Naiara Jinknss

Lia Sophia fala do disco:

  • Ele é muito festivo, dançante. Reflete essa alegria de viver. Acho que a nossa música é isso.

  • Encontrei o parceiro ideal pra esse trabalho, que foi o Luiz Félix Robatto, um cara que conhece tudo de música paraense. Já trabalhou com diversos artistas daqui e é super aberto pra troca de ideias. Acho que a minha grande dificuldade, meu grande problema, seria se eu encontrasse uma pessoa que não conseguisse dividir as coisas comigo, que não conseguisse ouvir ideias e dividir isso. É um cara que eu admiro e contribuiu muitíssimo para o trabalho.

  • Eu trabalho com uma equipe há mais de 10 anos, uma banda que está junto comigo. Pessoas que me conhecem, sabem o que eu gosto de música, sabem o que eu escuto, sabem das minhas opiniões sobre música. Então, a gente consegue dividir muito bem isso. 

Foto: Naiara Jinknss


1. Amor de Promoção (Lia Sophia)
2. Lero Lero   (Daniel Delatuche - Lia Sophia)
3. Noite do Prazer (Paulo Zdanowski - Claudio Zoli - Arnaldo Brandão)
4. Eu Só Quero Você  (Lia Sophia)
5. Você Vai Ver   (Lia Sophia - Jana Figarella)
6. Quando Eu te Conheci (Dona Onete)
7. Do Lar  (Lia Sophia)
8. Quero Você (Carlos Santos - Alípio Martins)
9. Um Beijo (Felipe Cordeiro - Lia Sophia)
10. Cheio de Flor   (Lia Sophia - Edvaldo Cavalcante)
11. Beleza da Noite (Mestre Curica)
12. E Se Quiser  (Lia Sophia - Jade Guilhon)
13. Que Sorte  (Lia Sophia)
14. Ai Menina  (Lia Sophia)























Ficha Técnica:

Produção Executiva: Taísa Fernandes
Produção e direção geral: Luiz Félix Robatto e Lia Sophia
Direção vocal e vocais: Anderson Brun

Músicos:
Márcio Jardim: Percussão
Adelbert Carneiro: Baixo e Freteless
Davi Amorim: Guitarra, banjo, violão 12 cordas, violão nylon
Edvaldo Cavalcante: Bateria
Daniel Delatuche: Trompete
Harley Souza: Sax tenor, sax barítono
Esdras de Souza: Sax tenor, sax barítono e flauta
Jó Ribeiro: trombone
Félix Robatto: Violão nylon e guitarra
Lia Sophia: Voz, banjo e vocais

Participações especiais:
Luiz Pardal (rabeca) em Beleza da Noite
Manoel Cordeiro (violão) em Cheio de Flor
Trio Manari (percussão) e Felipe Cordeiro (guitarra) em Ai Menina
Chimbinha (guitarra) em Amor de Promoção

Arranjos de base e arranjos de sopros: Coletivos
Arranjo de sopros em Ai menina: Felipe Pinaud
Direção de sopros e de clima: Daniel Delatuche
  
Gravado no Apce nos meses Dez/ 2012 e Jan/Fev /2013
Engenheiros de gravação: Assis Figueiredo e Ulysses Moreira

Mixado e masterizado no Monoaural por Daniel Negrão Carvalho

Projeto gráfico: Gotazkaen
Fotos: Diana Figueroa
Local das fotos: Terra do Meio (Marituba) e Parque do Utinga (Belém)
Make-up e cabelo: Guto

Assistente de Produção: Patrícia Araújo 
Assessoria de Imprensa: Yorranna Oliveira



3.6.13

Disco do Mês: Cheia de Graça




Nosso 29º Disco do Mês, comemorando os 46 meses do Som do Norte no ar é Cheia de Graça, primeiro CD da cantora Emília Monteiro. O CD foi lançado na internet em março e tem previsão de chegada às lojas agora em junho. O show oficial de lançamento será no dia 30 de julho, no Clube do Choro de Brasília.

Cheia de Graça promove um passeio sonoro pelo Brasil, com especial ênfase nos ritmos do Norte do país. Do Amapá são o batuque (“Mão de Couro”) e o marabaixo (“Mal de Amor”). Do Pará, vieram o carimbó chamegado (“Eu Quero Este Moreno pra Mim”) e o lundu (“Meus Ventos”). O zouk love, originário das Antilhas e chegado ao Norte do Brasil via Guiana Francesa, se faz presente em “Veneno de Cobra”. O disco também aposta nas fusões: “Mandacaru” é um batuque-jazz, “Coisinha” é carimbó-batuque, “Mais Eu” é balada-jazz.


Amapaense radicada em Brasília, Emília Monteiro já abriu shows de Alceu Valença, Paulinho Moska, Paula Lima e Rita Ribeiro (que hoje assina como Rita Benneditto). 

Em 1998, quando cantava na noite de Macapá, Emília foi a primeira a gravar “Mal de Amor” (Val Milhomem – Joãozinho Gomes), hoje um clássico da música amapaense, com várias regravações. Este marabaixo igualmente fazia sucesso nas apresentações da cantora em Brasília no final dos anos 90, período em que também atuou no teatro musical, na Companhia dos Menestréis, de Deto Montenegro.

O disco Cheia de Graça começou a nascer em 2008, quando Emília retomou a carreira musical após um período dedicado à família. Já no primeiro contato com Joãozinho Gomes, recebeu dele “Mão de Couro” (outra parceria com Val Milhomem). A brasiliense Ellen Oléria, vencedora do The Voice Brasil 2012, lhe cedeu “Córrego Rico”. A paraense Dona Onete, que Emília já admirava de longa data e a quem conheceu pessoalmente no ano passado, lhe presenteou com “Veneno de Cobra”, além de compor “Eu Quero Este Moreno pra Mim” especialmente para a intérprete. “Mandacaru” e “Descalço” são as primeiras músicas a serem gravadas do compositor paulista Nanon. Coube a Emília também a primazia de lançar a primeira parceria das cantoras Márcia Tauil e Simone Guimarães: “Meus Ventos”. Já “Coisinha” é composição do maranhense Zeca Baleiro com a carioca Suely Mesquita. Suely também é a autora de “Mais Eu” e foi a responsável pela preparação e supervisão vocal do CD.




Rodrigo Campello, que já foi produtor de discos de Roberta Sá, Fernanda Abreu e Caetano Veloso, produziu, arranjou e tocou em “Coisinha” e “Descalço”, além de realizar a mixagem do álbum. Dona Onete participou das faixas de sua autoria. O paraense Aldo Sena gravou a guitarra em “Mão de Couro”. Já o percussionista amapaense Nena Silva tocou caixas de marabaixo e outros instrumentos típicos do Norte em seis faixas do CD.

A produção musical de João Ferreira (responsável também pela maioria dos arranjos) e a direção artística, a cargo da própria Emília Monteiro, foram muito hábeis ao fazer com que diferentes ritmos e temas assinados por compositores das mais diversas partes do país dialogassem harmonicamente, garantindo a unidade sonora do álbum.O CD foi gravado em Brasília e no Rio de Janeiro entre setembro de 2011 e agosto de 2012. 

Opiniões: